sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Reflexão dos que já vivenciaram...

Uma profissão que se propõe em seu código de ética o compromisso com a Classe Trabalhadora fica abstrata se não colocarmos em prática essa perspectiva desde o início da formação. Ao ingressar no curso de Serviço Social da UNIFESP-BS senti que faltava alguma coisa até encontrar um grupo que também tinha o mesmo sentimento, que era envolvido com o movimento estudantil, mas queria colocar os pés para fora dos muros da universidade. Foi nessa toada que iniciamos o primeiro projeto de extensão popular da UNIFESP; foi pensando em articular educação popular, formação profissional e movimentos sociais que demos nossos primeiros passos.

Momento interessante pra mim foi quando construímos, em parceria com outras instituições e movimentos sociais, o “Tribunal Popular: o Estado Brasileiro no Banco dos Réus – Encarceramento em Massa”, pois foi neste momento que de fato tive a dimensão de que outras pessoas espalhadas em vários cantos do mundo estão insatisfeitas com o sistema capitalista e que não estão caladas e nem sozinhas, neste seminário conheci também outras formas de fazer comunicação e se manifestar: o teatro de rua, com a Brava Companhia de Teatro no espetáculo “Este Lado é Para Cima”.

Brava Companhia de Teatro no espetáculo “Este Lado é Para Cima”

Foram em discussões com o grupo de estudantes da extensão popular que entendi que movimentos sociais, greves, congressos, eventos, são todos espaços de formação, são todos espaços de construção coletiva de conhecimento, a educação popular ultrapassa qualquer limite que tentemos colocar para estabelecer onde é e onde não é espaço de educação.

“Este é apenas um breve relado do significado do projeto Criando e Recriando a Realidade Social na minha formação de assistente social, militante, mulher, educadora popular, comunicadora e tudo isso junto que esse grupo me ajudou a ser e estar”.

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Publicado originalmente em Tabloide PET Educação Popular: criando e recriando a realidade social - Volume 1


Marília Marques
Pesquisa: Estuda a trajetória de vida e a situação das mulheres grávidas em cárcere privado na Cadeia Pública Feminina em Santos-SP


Contato: lila_marques5@hotmail.com

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

12 de Outubro - Dia da Resistência Indígena



Embora no Brasil hoje se comemore o dia das crianças e da Padroeira do Brasil, em vários países da América Latina o dia 12 de outubro é tido como o dia da Resistência Indígena, dia de reflexão e luta em lembrança da chegada dos europeus na América... o dia que se iniciou a invasão da América e o genocídio de milhares de povos indígenas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

IntraPET 2017


No dia 06 de outubro de 2017 participamos do IntraPET sediado em Guarulhos. Encontro onde os grupos do PET - Programa de Educação Tutorial da UNIFESP, da grande São Paulo se reúnem. O encontro é um momento de trocar experiências, pensar desafios e nos preparar coletivamente.

Um dos temas abordados pelos petian@s foi a democratização da entrada de estudantes no PET, também discutimos a luta contra os cortes de recursos nas graduações, a formação acadêmica ampla e interdisciplinar e os desafios para efetivar o tripé da pesquisa, ensino e extensão.










segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Curso de Extensão sobre a cultura e resistência indígena na atualidade


Um curso com oito encontros, metade das aulas será conduzida por professores que dedicam suas vidas a entender os saberes e a realidade de povos tradicionais. A outra metade será conduzidas por indígenas Guarani Mbya que trazem diretamente a realidade desafios e concepções.

O curso é parte de processo dialógico junto com o povo Guarani Mbya da Tekoa (aldeia) Paranapuã em São Vicente/SP, sobre diferentes formas de produção e reprodução da vida - os costumes, ritos, valores, organização, enfim, sua cultura. Assim como, fortalecer o processo de luta para garantia do direito à terra e à dignidade humana - questões como o alimento, moradia e fortalecimento de sua cultura e ancestralidade.

As aulas do curso aprofundarão o conhecimento sobre a cultura Guarani Mbya na perspectiva da garantia dos Direitos Humanos.

O desafio de realizar um curso com tal temática, com uma perspectiva interdisciplinar e metodologia do projeto encontro de saberes, levou a efetivação de uma parceria entre a aldeia Paranapuã, a Cátedra Kaapora, PET Educação Popular, CEDH - Centro de Direitos Humanos e LISTA-Laboratório de Pesquisa em Interações Sociotecnicoambientais.










Link para o evento:
https://www.facebook.com/events/486698978383640

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O que é Educação Popular?

por Brenda Barbosa



Paulo Freire (1987) afirma que seria ingenuidade esperar que a educação proporcionada pela classe dominante pudesse fomentar a crítica e a transformação social. E esta afirmação tem feito sentido ao longo da história.

Partindo desta constatação, Paulo Freire propõe a Educação Popular com o propósito de romper com o ciclo da manutenção da ordem social. Constitui-se em uma concepção que a partir da realidade do sujeito, desvela-se o mundo. Que não hierarquiza e nem prioriza o saber - não há que se falar em saber, mas sim em saberes -, reconhecendo que a educação, o conhecimento, a capacidade teleológica é uma característica própria do ser humano, ontológica. E se somos todos humanos, logo, todos possuímos saberes.

Contudo, essa mesma capacidade ontológica nos tornas seres sociais; nos leva a viver em sociedade. E se falamos em sociedade... Ela tem uma organização e uma dinâmica para se reproduzir historicamente. A ordem social estabelecida impossibilitou que um grande número de pessoas pudessem exercer essa capacidade, pois valoriza alguns saberes em detrimento de outros, institucionaliza uma capacidade nata, utiliza-e da meritocracia, etc.

Sendo assim, pensar um processo educacional que possibilite exercer essa vocação humana não há de ser fácil, mas possível e necessária. Essa educação para o povo, com o povo e pelo povo que chamamos de Educação Popular. 

E não é “popular” simplesmente por ser com o povo. Não é qualquer ação com as massas que se configura como educação popular. É popular por ter uma concepção de educação calcada num arcabouço teórico-metodológico que por meio de processos contínuos tem por intencionalidade a consciência crítica, o protagonismo do próprio sujeito oprimido e a transformação social. É esta concepção que possibilita além dos sonhos, termos meios também de realizá-los.

Leitura do Mundo – Como o sujeito vê e compreende o mundo? É preciso entender isso para poder envolvê-lo, a partir do que ele já conhece;
Círculos de Cultura – Literalmente círculo, roda de conversa. Só isso em si já é uma afronta ao modo de educação bancária, onde se imagina que o professor deposita o saber no “aluno”. Os círculos possibilitam uma horizontalidade, olhar-se, considerar a história de vida de cada um, os seus valores, etc.
Sistematização – É preciso registrar, apreender os conhecimentos produzidos e partilhados, para que haja memória e também possibilidades de acesso aos que não puderam vivenciar o processo, é a história de nossas ações e a possibilidade de outras novas;
Mística – Muito presente nos momentos de início e término de atividades, expressa para além da oralidade a sintonia e essência que nos une, nos conectam: “A mística tem que ver com a vida, com os caminhos da vida e com o nosso jeito de neles caminhar. E nada disto é estático, nada disto está parado, ao contrário, tudo é movimento, é dinâmico. Nada disto está pronto, é no caminho, no despertar das consciências, que nos descobrimos inacabados” (Paulo Freire).


Brenda Silva*

Tem Cultura Popular? Então tô dentro! Gosto de trabalhar com adolescente e jovens, expressões da cultura periférica e poesias e também das Culturas Populares (Coco, Jongo, Maracatu).

Além da Educação Popular, tenho afinidade com as temáticas de gênero e raça/etnia, por isso componho o Núcleo Reflexos de Palmares e o Coletivo de Mulheres Negras ECOA PRETA. Além do PET, minhas escolas de formação política foram e ainda são o CEDECA Interlagos, o Fórum Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente, o HIP HOP e mais recentemente o tambor.