quinta-feira, 15 de junho de 2017

O que é Educação Popular?

por Brenda Barbosa



Paulo Freire (1987) afirma que seria ingenuidade esperar que a educação proporcionada pela classe dominante pudesse fomentar a crítica e a transformação social. E esta afirmação tem feito sentido ao longo da história.

Partindo desta constatação, Paulo Freire propõe a Educação Popular com o propósito de romper com o ciclo da manutenção da ordem social. Constitui-se em uma concepção que a partir da realidade do sujeito, desvela-se o mundo. Que não hierarquiza e nem prioriza o saber - não há que se falar em saber, mas sim em saberes -, reconhecendo que a educação, o conhecimento, a capacidade teleológica é uma característica própria do ser humano, ontológica. E se somos todos humanos, logo, todos possuímos saberes.

Contudo, essa mesma capacidade ontológica nos tornas seres sociais; nos leva a viver em sociedade. E se falamos em sociedade... Ela tem uma organização e uma dinâmica para se reproduzir historicamente. A ordem social estabelecida impossibilitou que um grande número de pessoas pudessem exercer essa capacidade, pois valoriza alguns saberes em detrimento de outros, institucionaliza uma capacidade nata, utiliza-e da meritocracia, etc.

Sendo assim, pensar um processo educacional que possibilite exercer essa vocação humana não há de ser fácil, mas possível e necessária. Essa educação para o povo, com o povo e pelo povo que chamamos de Educação Popular. 

E não é “popular” simplesmente por ser com o povo. Não é qualquer ação com as massas que se configura como educação popular. É popular por ter uma concepção de educação calcada num arcabouço teórico-metodológico que por meio de processos contínuos tem por intencionalidade a consciência crítica, o protagonismo do próprio sujeito oprimido e a transformação social. É esta concepção que possibilita além dos sonhos, termos meios também de realizá-los.

Leitura do Mundo – Como o sujeito vê e compreende o mundo? É preciso entender isso para poder envolvê-lo, a partir do que ele já conhece;
Círculos de Cultura – Literalmente círculo, roda de conversa. Só isso em si já é uma afronta ao modo de educação bancária, onde se imagina que o professor deposita o saber no “aluno”. Os círculos possibilitam uma horizontalidade, olhar-se, considerar a história de vida de cada um, os seus valores, etc.
Sistematização – É preciso registrar, apreender os conhecimentos produzidos e partilhados, para que haja memória e também possibilidades de acesso aos que não puderam vivenciar o processo, é a história de nossas ações e a possibilidade de outras novas;
Mística – Muito presente nos momentos de início e término de atividades, expressa para além da oralidade a sintonia e essência que nos une, nos conectam: “A mística tem que ver com a vida, com os caminhos da vida e com o nosso jeito de neles caminhar. E nada disto é estático, nada disto está parado, ao contrário, tudo é movimento, é dinâmico. Nada disto está pronto, é no caminho, no despertar das consciências, que nos descobrimos inacabados” (Paulo Freire).


Brenda Silva*

Tem Cultura Popular? Então tô dentro! Gosto de trabalhar com adolescente e jovens, expressões da cultura periférica e poesias e também das Culturas Populares (Coco, Jongo, Maracatu).

Além da Educação Popular, tenho afinidade com as temáticas de gênero e raça/etnia, por isso componho o Núcleo Reflexos de Palmares e o Coletivo de Mulheres Negras ECOA PRETA. Além do PET, minhas escolas de formação política foram e ainda são o CEDECA Interlagos, o Fórum Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente, o HIP HOP e mais recentemente o tambor.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Cultura e Resistência Indígena no 3º congresso da Unifesp

No 3° congresso da UNIFESP a Frente Cultura e Resistência Indígena apresentou em conjunto com lideranças da aldeia Paranapuã, o trabalho que vem sido feito junto com a comunidade!